Interface cérebro-máquina, quando a ficção vira realidade

O filme Matrix é uma obra rara de ficção científica. Apesar de o autor de “Simulacro e simulação” não ter visto nada de sua obra dentro do filme criado pelos irmãos Wachowski, eu tenho a leve impressão de que ele não entendeu o filme no final das contas. A Matrix é uma cópia mal feita da realidade, só isso seria suficiente para dizer que ele foi sim baseado na obra de Jean Baudrillard. Mas o que falaremos aqui é algo um pouco menos filosófico e com aplicação direta na nossa vida, a interface cérebro-máquina.

Matrix e a interface cérebro-máquina

Como todos sabem, a ficção científica é apenas o primeiro passo para a criação de alguma nova tecnologia, é o ponto em que dizemos, sim isso é possível de ser feito. O filme Matrix, lançado em 1999, é um ótimo exemplo. Ele conta a história de Neo, um hacker de computador que em toda a sua vida sentiu como se estivesse aprisionado, cercado por todos os lados, e descobre que essa prisão é a ilusão daquilo que chamamos de “mundo”, criada por máquinas inteligentes. A tecnologia criada para fazer com que as pessoas “sonhassem com o mundo real” é uma interface cérebro-máquina que liga todas as pessoas através de uma rede, rodando um software chamado Matrix.

Ciência atual

Assim como na ficção científica, a ciência atual já é capaz de criar uma conexão cérebro-máquina e mover membros robóticos usando apenas o poder do pensamento, mas infelizmente a recíproca não é verdadeira. Experimentos feitos por Miguel Nicolelis, foram capazes de fazer com que pernas robóticas no Japão, executassem os comandos vindos do cérebro de uma macaca, fisicamente nos Estados Unidos. Entretanto, o feedback necessário para que o cérebro continuasse a trabalhar nessa tarefa, era dado através de forma visual. Alguns monitores foram instalados na sala para que a macaca conseguisse enxergar e saber que os movimentos de suas pernas estavam movendo aquele conjunto de engrenagens reproduzidos na sua frente.

Relação com a Matrix

A correlação que existe entre os experimentos do professor Nicolelis e o filme Matrix são evidentes. Digamos que o primeiro passo para criar um ambiente, no mínimo parecido com a Matrix, seria a possibilidade de extrair as informações no cérebro. O segundo passo, que ainda será dado, é inserir informações direto no cérebro, de tal forma que ele acredite que essas informações são provenientes de nossos órgãos sensoriais. O terceiro passo é a criação de um processador quântico, capaz de processar a grande quantidade de informações e variáveis da interação entre o cérebro humano e um computador.

Matrix real

No dia em que a humanidade, ou a maquinidade, tiver essas três tecnologias e a inteligência artificial tiver dado algum salto do seu estagnado estado atual, aí sim, teremos todas as ferramentas necessárias para criar a Matrix, ou pelo menos, um jogo no estilo Pequenos Espiões 3D.